Tiraram-me os travões. Desço indescritivelmente. Mesmo assim, e em último recurso, creio nas medidas de segurança desenhadas para estes casos. Se as houver, é claro. Tento manter o controlo e a compostura. Nem sempre é fácil, pelo menos o controlo. Imagino que um pára as quedas, por exemplo, dava imenso jeito nesta altura. Procuro um plano B. Olho para os lados. Olho outra vez. Uma vez mais, e penso: estou – para não escrever outra coisa - lixado! Nestes compridíssimos segundos passa-me um pouco de tudo pela cabeça, do tipo uma pitada da vida até este preciso momento. Muitos sorrisos a escoltar grandes alegrias. Para contrabalançar, uma ou outra tristeza. Algum amor guarnecido de algumas desilusões. Faz parte. Emoções fortes q.b., sensações inenarráveis, rostos e palavras amigas, todas as viagens, imensas imagens, um trabalho, aquele livro, certa música e a voz do meu filho. À última, seguram-me a mão. Ufa é palavra correcta. Estarei realmente a salvo? Porquê que falei, e resvalo. E lá vou eu outra vez. Apetece-me dizer obscenidades mas recordo a compostura. Perco antes o controlo. Espero um pouco. Cheira-me que também não vai resultar. Esquecendo definitivamente o controlo, volto ao ónus do aparato. Mesmo assim consigo tomar nota: só há uma maneira de parar a coisa. Penso automaticamente no travão. Pois é a única palavra de que me lembro. Mas, tal e qual sócio do Sporting, encho-me de esperança, olho para o passado, resisto o presente mas principalmente projecto o futuro. Bem, pensando melhor imaginar o futuro é, nos dias de hoje, somente antever o dia seguinte. Pronto, também não posso exagerar. O próximo semestre – está bom assim? Mas não sei se a minha visão consegue ir tão longe e espreitar nitidamente daqui a um ano. Ok, passa o Natal, é 2014 e cantam-se as Janeiras. E eles? E ele? E tu? E eu? E o país? Desde que haja moeda única está-se bem, queres ver? Outro governo? É bem capaz. Mas nunca o caos. Não convém me perder. A queda já vai longa. Revejo o que escrevi. Neste momento não tenho nada para dizer sobre aquilo que disse. Enfim, é continuar pois a circunstância não é das melhores até porque ainda não consegui parar. Abro os braços, tento o equilíbrio. Dá ocupado. Deixo recado. Observo um avião. Aceno e sorrio. Manguitos são a resposta. Inquieto, derivado à situação, aflige-me as hipérboles cometidas. Sim, cada um sabe de si e há um Deus que sabe de todos. Não dado muito a magias, mas que as há, isso há, entro directamente no epílogo. Primeiro, abarcar-me de gente boa, sempre me podem apadrinhar nesta e noutras quedas. Segundo, acreditar que há sempre algo de bom, nem que não seja ao virar da esquina. E - se me dão licença – terceiro, continuar a ser quem sempre fui. Mas, qual espanto, qual milagre, eis que o pára-quedas se abre. Num instante aterro suavemente. Afinal aqueles sacanas empurraram-me.
9 de janeiro de 2013
Uma queda não tão livre
Tiraram-me os travões. Desço indescritivelmente. Mesmo assim, e em último recurso, creio nas medidas de segurança desenhadas para estes casos. Se as houver, é claro. Tento manter o controlo e a compostura. Nem sempre é fácil, pelo menos o controlo. Imagino que um pára as quedas, por exemplo, dava imenso jeito nesta altura. Procuro um plano B. Olho para os lados. Olho outra vez. Uma vez mais, e penso: estou – para não escrever outra coisa - lixado! Nestes compridíssimos segundos passa-me um pouco de tudo pela cabeça, do tipo uma pitada da vida até este preciso momento. Muitos sorrisos a escoltar grandes alegrias. Para contrabalançar, uma ou outra tristeza. Algum amor guarnecido de algumas desilusões. Faz parte. Emoções fortes q.b., sensações inenarráveis, rostos e palavras amigas, todas as viagens, imensas imagens, um trabalho, aquele livro, certa música e a voz do meu filho. À última, seguram-me a mão. Ufa é palavra correcta. Estarei realmente a salvo? Porquê que falei, e resvalo. E lá vou eu outra vez. Apetece-me dizer obscenidades mas recordo a compostura. Perco antes o controlo. Espero um pouco. Cheira-me que também não vai resultar. Esquecendo definitivamente o controlo, volto ao ónus do aparato. Mesmo assim consigo tomar nota: só há uma maneira de parar a coisa. Penso automaticamente no travão. Pois é a única palavra de que me lembro. Mas, tal e qual sócio do Sporting, encho-me de esperança, olho para o passado, resisto o presente mas principalmente projecto o futuro. Bem, pensando melhor imaginar o futuro é, nos dias de hoje, somente antever o dia seguinte. Pronto, também não posso exagerar. O próximo semestre – está bom assim? Mas não sei se a minha visão consegue ir tão longe e espreitar nitidamente daqui a um ano. Ok, passa o Natal, é 2014 e cantam-se as Janeiras. E eles? E ele? E tu? E eu? E o país? Desde que haja moeda única está-se bem, queres ver? Outro governo? É bem capaz. Mas nunca o caos. Não convém me perder. A queda já vai longa. Revejo o que escrevi. Neste momento não tenho nada para dizer sobre aquilo que disse. Enfim, é continuar pois a circunstância não é das melhores até porque ainda não consegui parar. Abro os braços, tento o equilíbrio. Dá ocupado. Deixo recado. Observo um avião. Aceno e sorrio. Manguitos são a resposta. Inquieto, derivado à situação, aflige-me as hipérboles cometidas. Sim, cada um sabe de si e há um Deus que sabe de todos. Não dado muito a magias, mas que as há, isso há, entro directamente no epílogo. Primeiro, abarcar-me de gente boa, sempre me podem apadrinhar nesta e noutras quedas. Segundo, acreditar que há sempre algo de bom, nem que não seja ao virar da esquina. E - se me dão licença – terceiro, continuar a ser quem sempre fui. Mas, qual espanto, qual milagre, eis que o pára-quedas se abre. Num instante aterro suavemente. Afinal aqueles sacanas empurraram-me.
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